Há Copas do Mundo de times. E há uma Copa de um homem só. A Copa de 1986 no México pertence a Diego Armando Maradona com uma intensidade que nenhum outro jogador jamais alcançou. Em uma semana de julho, Maradona marcou dois dos gols mais falados da história — em um mesmo jogo — e levou a Argentina ao segundo título mundial.
A Jornada de Maradona em 1986
| Partida | Resultado | Gols Maradona |
|---|---|---|
| Argentina x Itália (Grupo) | 1x1 | 0 |
| Argentina x Bulgária (Grupo) | 2x0 | 1 |
| Argentina x Coreia (Grupo) | 3x1 | 1 |
| Argentina x Uruguai (Oitavas) | 1x0 | 0 (1 assistência) |
| Argentina x Inglaterra (Quartas) | 2x1 | 2 (Mão de Deus + Gol do Século) |
| Argentina x Bélgica (Semi) | 2x0 | 2 |
| Argentina x Alemanha (Final) | 3x2 | 0 (1 assistência) |
O Jogo do Século: Argentina 2x1 Inglaterra
22 de junho de 1986, Estádio Azteca, Cidade do México. A Argentina enfrentava a Inglaterra quatro anos após a Guerra das Malvinas. O contexto político tornava o jogo mais que futebol — era uma batalha.
Primeiro gol (51', "Mão de Deus"): Maradona desviou a bola com a mão esquerda, enganando o árbitro. "Foi um pouco a mão de Deus e um pouco a cabeça de Diego", disse depois.
Segundo gol (54', "Gol do Século"): Maradona recebeu na própria metade, driblou 5 jogadores e o goleiro Shilton em 11 segundos e 65 metros. Eleito o gol do século pela FIFA em 2002.
A Final: Argentina 3x2 Alemanha
Na final, Maradona não marcou — mas deu a assistência decisiva para o gol de Burruchaga nos acréscimos que definiu o 3x2. A Argentina abriu 2x0, a Alemanha empatou, e Maradona foi o arquiteto do gol da virada.
Por Que 1986 é Única na História
Nenhum jogador antes ou depois dominou uma Copa do Mundo como Maradona em 1986. Pelé ganhou com times extraordinários ao redor. Messi em 2022 tinha a Argentina mais sólida. Maradona em 1986 literalmente carregou um time mediano às costas e ganhou. Por isso, para muitos, 1986 é a Copa mais individual da história.
Conclusão
Maradona em 1986 é sinônimo de genialidade pura. A Mão de Deus e o Gol do Século no mesmo jogo. Dois gols na semifinal. A assistência na final. 5 gols e 5 assistências — o líder absoluto de um time que não teria chegado perto do título sem ele. Nenhuma Copa contou uma história assim antes — e é improvável que alguma venha a contar novamente.